O Rio de Janeiro é conhecido como a “cidade maravilhosa” -- incrível como este termo sempre contrastou com a pobreza e o tráfico nos morros! O cidadão carioca, pelo que me passa, sempre observou este misto de beleza e miséria que chicoteia a todos, sem exceção -- aliás, o que acontece em muitas capitais, como aqui em fortaleza.
Nesta semana acompanhei, com apreensão e preocupação, a “mega operação” que o estado do Rio organizou para a tomada de território dos traficantes, no Complexo da Penha (Vila Cruzeiro, mais precisamente). Os policiais, ao que me mostravam as imagens, surpreenderam os traficantes com veículos blindados da Marinha – o que facilitou a penetração no morro, atravessando barreiras postas pelos “criminosos”, como: pneus em chamas, carros, caminhões e etc. A troca de tiros foi intensa, mas a grande operação mostrou-se ineficaz no momento em que seus alvos fugiam em uma aglomerada procissão desesperada, até a favela ao lado – o que, com a máxima certeza, já era previsto.
Mas o que mais me chamou atenção foram duas coisas: a população, entre os policiais e os traficantes, e a mídia, com sua maquiagem ordinária da manipulação – tentando resguardar a imagem do país e do estado do Rio, “afinal a cidade será sede da copa de 2014 e dos jogos olímpicos em 2016”!. No que diz respeito àquele povo espremido, foi interessante observar os apelos por paz, improvisado com toalhas e lençóis brancos, nas casas do alto do morro; outros pediam, diante das câmeras que tudo aquilo acabasse, queriam ir até a porta, até a janela de suas casas sem nenhuma preocupação com balas perdidas. A mídia nos mostrou tudo isso como se a população “implorasse para ser salva da mão dos traficantes”!. Ora, o desejo da população não se resume ao simples fato da expulsão dos traficantes, o povo disse que quer paz, quer um ponto final na matança de inocentes, quer se ver livre de tanta violência.
E o governo...? Pergunto-me se esta a par deste sentimento “plebeu”...? Será que o “estadinho lulista” realmente pensa que vai acabar com a opressão, polícia-povo-tráfico, com essa dita “mega operação”? Na verdade o que está acontecendo é uma tremenda farsa, uma grande maquiagem!
Veja, é um jogo lógico: o traficante domina o morro; a polícia invade o morro; os traficantes fogem para outra comunidade; a polícia invade a outra comunidade; e os traficantes fogem novamente. Ou seja guerra nunca acaba, só muda de local e a relação polícia-povo-tráfico vai continuando e se arrastando, seja para outros bairros, cidades ou regiões.
É preciso perceber que o problema real do governo não é o traficante, mas a droga! O Brasil tem fiscalização de fronteiras precária, com policiais em número reduzido e despreparados. Então como o Estado pretende acabar com esta “guerra contra o mau” sem cortar sua fonte? É preciso investir pesado na proteção das fronteiras e nas políticas públicas tanto da saúde, para atender os dependentes químicos quanto na área da educação, para que nossas crianças não vejam na droga sua salvação. Apenas dessa forma vamos poder bater no peito e dizer que a guerra, dizer que temos paz, dizer que temos bons governantes!
(por Kevllo Yuri)